O consumidor de 2026 não quer mais ser convencido. Ele quer ser compreendido.
- 15 de mai.
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O que os dados sobre comportamento de compra revelam sobre o que as marcas precisam mudar agora para continuar sendo relevantes

Algo fundamental mudou, e não é o algoritmo
Há uma conversa recorrente entre gestores de marketing que vai mais ou menos assim: o alcance orgânico caiu, as plataformas mudaram as regras, o algoritmo está diferente. E tudo isso é verdade. Mas tratar o algoritmo como o vilão da história é uma forma conveniente de evitar uma reflexão mais incômoda.
O que realmente mudou não é só a lógica das plataformas. É o consumidor. Ele está mais informado, mais conectado, mais cansado de publicidade tradicional e mais seletivo sobre a quem dá atenção. E as marcas que não entenderam isso ainda estão investindo para chegar a um consumidor que já não existe mais.
Os dados que mostram o que mudou
Uma pesquisa da LatAm Intersect mapeou as principais transições de comportamento de consumo na América Latina para 2026 e chegou a uma conclusão central: o consumidor da região está se tornando mais cauteloso, mais comunitário e mais seletivo em relação à tecnologia. A resiliência de 2025 abriu espaço para uma necessidade maior de segurança, estabilidade e provas claras de valor.
62% dos consumidores globais confiariam mais em marcas que explicassem como utilizam IA nos seus processos, segundo a LatAm Intersect. O Think with Google apontou que 83% dos consumidores no mundo usam Google ou YouTube diariamente, e o volume de dados gerado por esse comportamento é o que alimenta a IA na compreensão e antecipação da jornada do consumidor. Em outras palavras: as plataformas sabem mais sobre o consumidor do que a maioria das marcas.
Um terceiro dado relevante vem do Edelman Trust Barometer: a confiança na propaganda tradicional continua em queda, enquanto a confiança em pessoas recomendando produtos, seja por influenciadores com credibilidade ou por outros consumidores, segue em alta.
O paradoxo do volume de conteúdo
Em 2025 e 2026, a produção de conteúdo nunca foi tão acessível. Ferramentas de IA permitem criar textos, imagens e vídeos em escala que seria impensável há cinco anos. E aqui mora um dos maiores problemas do marketing contemporâneo.
Pesquisas de 2025 indicam que 54% dos consumidores já conseguem distinguir conteúdo gerado por IA e preferem marcas que mostram autenticidade humana. O conteúdo de IA ganha no volume. O conteúdo humano ganha na confiança.
Isso não significa que IA não tem lugar na estratégia de conteúdo. Significa que IA sem estratégia e sem ponto de vista humano produz volume sem conexão. E volume sem conexão é ruído.
Mais conteúdo não é mais presença. Mais presença relevante é mais conexão. São coisas completamente diferentes, e a diferença entre as duas é uma estratégia de marca.

O que o consumidor de 2026 realmente quer
Quer ser visto: não como parte de uma audiência genérica, mas como alguém com um contexto específico. Comunicação que parece feita para todo mundo é ignorada por cada um.
Quer provas, não promessas: 75% dos consumidores brasileiros já se arrependeram de uma compra, segundo dados do OpinionBox Consumer Trends 2026. O medo do arrependimento é real e influencia a decisão antes mesmo do primeiro clique.
Quer valor mais do que preço: o consumidor com orçamento mais apertado aprendeu a pesquisar, comparar e questionar antes de comprar. Valor e propósito pesam tanto quanto a etiqueta de preço, segundo a WGSN.
Quer consistência: uma marca que parece diferente no Instagram, no site, no atendimento e na entrega não é confiável. Consistência é o que transforma transação em relacionamento.
O que as marcas precisam revisar agora
O usuário médio brasileiro decide em menos de 3 segundos se vai continuar consumindo um conteúdo ou deslizar para o próximo, segundo dados de retenção de 2025. Isso não significa que o conteúdo precisa ser superficial. Significa que ele precisa ser imediatamente relevante.
As marcas que estão crescendo em 2026 não são as que publicam mais. São as que publicam com mais intenção. Cada peça de comunicação responde a uma pergunta real ou resolve um problema específico de um segmento específico. Esse nível de precisão não é possível sem posicionamento claro e sem um conhecimento profundo do consumidor.
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